A arte de Banksy. O humor mordaz da sociedade contemporânea, aos olhos do famoso artista anônimo.
- Annelise Castelli
- 5 de fev. de 2021
- 3 min de leitura
Há tempos queria falar de Banksy. Acho que demorei tanto, porque o admiro muito.

“O anônimo mais famoso do mundo” é um cara que conseguiu elevar a street art e o grafite a um outro patamar, conquistando legiões de fãs, pela simples abordagem de que a arte é uma linguagem universal. Sim, suas obras furtivamente feitas em lugares inusitados e muitos deles degradados, trazem mensagens fortes, impactantes, mas de compreensão imediata.
Misturando a ironia, o humor, a provocação, o deboche e a sátira, Banksy tornou-se um símbolo (e até mesmo um ícone) da indignação sobre a sociedade contemporânea. Alguns críticos de arte consideram que ele ficou assim famoso, pela capacidade única de sintetizar de maneira impressionante quem somos, como um espelho que traz a verdade nua e crua. O que causa desconforto e empatia ao mesmo tempo.
“Suas obras estão repletas de imagens metafóricas que transcendem as barreiras da linguagem. As imagens são divertidas e brilhantes, mas tão simples e acessíveis que mesmo crianças de seis anos que não tenham ideia do que é um conflito cultural, não terão problemas em reconhecer que há algo errado quando virem a Mona Lisa segurando um lança-chamas.
Shepard Fairey, street artist
A guerra, o autoritarismo, o capitalismo, a cultura contemporânea, o consumo, a hipocrisia são temas frequentes que se desdobram em símbolos como ratos, macacos e diversas releituras cheias de humor mordaz. Mas é na figura das crianças que Banksy confia suas mensagens de esperança.
Banksy é um artista britânico sem nome. Apesar de ter sido filmado em algumas ocasiões, e haver muita especulação, sua identidade ainda é uma incógnita e, claro, esse anonimato lhe rende ainda mais fama.
É um artista de muitas habilidades: ilustrador, pintor, escultor, diretor de cinema (em 2010 estreou o documentário Exit Through the Gift Shop no Festival de Sundance) e até mesmo dono de hotel (em 2017 abriu o The Walled off Hotel exatamente em frente ao muro que divide Israel da Palestina), além de já ter criado uma série de performances surpreendentes. Como quando 2006 colocou furtivamente um boneco vestido com o uniforme de prisioneiros de Guantánamo, em um Parque da Disney na Califórnia. E em 2005, quando colocou uma obra penetra no Museu Britânico, uma reprodução de um homem das cavernas, com um carrinho de compras.


Mas a mais famosa empreitada foi em 2018, quando uma de suas obras seria leiloada no Sotheby’s de Londres. Banksy implantou um sistema na parte interna da moldura e, quando foi dado o último lance, (acredita-se que ele mesmo) acionou o sistema e o quadro Girl With Balloon foi retalhado em dezenas de tirinhas.

Sua inspiração veio principalmente do artista francês Blek le Rat (considerado o pai do stencil no grafite) e de Andy Warhol. Mas foi na técnica do stencil que encontrou a sua identidade. Relativamente simples e rápida para ser realizada às escuras.
Banksy deixou sua marca principalmente em Londres, Paris, Nova York e na Palestina, na maioria em locais estranhos, em que muitas vezes os elementos do espaço compõem a obra em si. Ou seja, são obras feitas para as pessoas comuns, pois não dá para levar para casa um pedaço de muro. Porém, Banksy faz reproduções assinadas que são exclusivamente comercializadas pelo Pest Control, que cuida dos direitos autorais da sua obra.
Em 2019 tive a oportunidade de ver uma exposição em Milão sobre Banksy “A Visual Protest”, com obras de colecionadores e fotos. Incrível. Mais tarde descobri que praticamente todas as exposições feitas sobre Banksy não são autorizadas por ele. Inclusive essa que eu vi no Museu Mudec. Confirmando sua posição de não explorar o mercado da arte.



Em 2020 também se posicionou sobre a pandemia, sobre o drama dos refugiados e sobre o movimento Black Lives Matter. Provocando o que críticos chamam de “efeito Banksy”, influenciando artistas de rua e continuando sua missão de desvendar o presente, instigando as pessoas para a construção de um futuro melhor.
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